segunda-feira, 18 de abril de 2022

sem título

consagra-me à pele apenas uma labareda do teu tempo e uma uva dos teus lábios

sigo o escuro para ver com os dedos o que não vejo à luz 

basta essa fome precipitada de manhãs a nascer-te no rosto

e morrer em golfadas de vida
a respirar milhões acelerados está bom.


sábado, 9 de abril de 2022

por acaso

nada quero além de parar de largar este ferrado
que turva os éteres e as respirações
para que possa silencioso escapar por entre as delicadas cordas de mil harpas,
eu próprio ver o caminho
e aprender a tocar.

sexta-feira, 8 de abril de 2022

sem título

a chuva já veio lavar o caos da terra estalada
do ar limpar as areias amarelas dos desertos
mas veio tarde para nos limpar da alma a morte extrema
e tornar clara esta obsessão de ver ordem na violência desde que o agressor sejamos nós.

domingo, 27 de março de 2022

rente ao chão

não apenas escrevo menos do que os escritores e bebo mais do que os bêbados,
como não é a falta de inspiração que me tolhe. 

é ter, ainda que não toda, alguma noção.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

sem título

minerar da sempiterna escuridão

o mais pequeno pedaço de caos

e ser um diamante.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

sem título

haverá sem dúvida um planeta inteiro
para quem chegar ao fim desta marcha
que se inicia no teu beijo
como duas esporas na minha carne
e eu todo inevitável 
galopo.