sexta-feira, 17 de julho de 2015

curta é a viagem quando ansiamos a lonjura

as bermas da estrada fundem-se
passado o rubicão da miragem
do ponto de fuga sobrará
a falta de esconderijo
não importa o destino
nem a viagem.

quantas milhas faltam para o horizonte?
e as bermas da estrada que se desentrelaçam
na vertigem de chegar
não há milhas que cheguem para confortos que não existem.

terça-feira, 7 de julho de 2015

cardiofrágio

naufragar.
nave desfaz-se contra fragas.
há-de se fazer um verbo para quando
nas fragas se desfaçam corações.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

a questão é a resposta é a questão

a substância radical dos homens 
a seiva sanguínea das almas
é em si mesma destino e origem
é procurar essência na terra funda
mergulhar na escuridão universal 
com uma candeia apagada
e tactear o mundo com as pontas do cérebro

a finalidade
o sentido
a resposta
corpórea matéria de tão densa 
é a pergunta.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

sábado, 13 de junho de 2015

no boundaries theory

da mesma árvore os frutos
na estação certa
do mesmo olhar uma chama intensa
na noite certa
não há limite de vezes para morrer de amor
pela pessoa certa.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

versos para vermes

hoje não nos falta poesia, falta-nos coragem
e só isso te dá coragem para que fales de poesia.

terça-feira, 9 de junho de 2015

jardim de inferno

enquanto sob os teus pés se contorcem as labaredas
a figueira-do-diabo ferve-te as artérias
e o sono falta-te como te falta o aconchego
de uma voz que murmura
as folhas caídas de um outono distante
crepitam agora toda a noite
a lava ilumina apenas os que fecham os olhos
não é um incandescência qualquer.