por minha própria mão
o fogo no coração dos outros
e nunca entrei na unidade de queimados
aquele problema dos incendiários
que ouvem sirenes e se julgam bombeiros
apesar das nuvens e bulcões que os perseguem
até que o sol não brilhe
eis-me sem a matéria em que assento os pés
eis a tremenda massa ígnea que nos ascende
do estômago à alma
que nos transcende da alma à boca
rasgando os tímpanos
de todas as orquestras do mundo
eis um descanso uma clareira uma vontade
onde os lagos reflectem a verdade
aquele velho problema dos incendiários
não têm imagem nos espelhos
e nem sentem o sabor do sangue
e as flores o espanto
é a verdade que muda quando falas verdade.
em código aberto
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
terça-feira, 16 de outubro de 2018
quinta-feira, 11 de outubro de 2018
quinta-feira, 6 de setembro de 2018
sem passado se retorna ao passado
eis o ciclo venenoso da serpente que não matámos no ovo
as falsas bandeiras soprando ódio pelo túnel de vento
construído com os tijolos das nossas escolas e os salários dos professores contratados
os medos alastrando como uma doença pela pele afora contaminada pelo ar infecto dos esgotos construídos com o cimento dos nossos hospitais
a falta de tudo sentida assim no âmago de quem nunca teve nada
e essa voz que exige o fim da democracia mascarada de fim da corrupção
que anda pelas ruas de mão em mão sem morada fiscal
mas sempre domiciliada no paraíso fiscal do aldrabão
eis um veneno que se injecta nas veias da ignorância
uma passadeira vermelha caminhada por ilusão
um livro de estante dos destaques do hipermercado
um imposto demasiado caro para um serviço que só apetece pedir o livro de reclamações
uma escola fechada um hospital com direito de admissão
um teatro igreja universal e um actor de esmola na mão
uma ciência terraplanada e um doutor de bolsa não será possível agradecemos a sua compreensão
um polícia raivoso na fábrica ocupada e em auto-gestão e detectives brandos a ajudar a esconder as contas do patrão
uma mão na massa enquanto milhões amassam o pão
é nesse pântano que se torna ténue sem que nos apercebamos a luz
e ao contrário do que se passa com as igrejas
os museus iluminam bem mais quando não ardem.
segunda-feira, 3 de setembro de 2018
sem título
talvez eu seja as dez primeiras páginas do livro
que decidiste a custo ler
porque era um clássico
e apenas possas das minhas linhas conhecer os nomes de um ou dois protagonistas
talvez eu seja o orvalho
que se demora nas folhas com o verde da manhã
os fugazes minutos da alvorada da meia-estação
talvez nem os relógios contem o tempo
do presente que trago nos braços e não dou a ninguém
talvez nem te lembres dos olhos semicerrados
ou dos beijos desamparados
talvez a música esteja para acabar
e eu seja aquele fim de noite
meio difuso
meio embriagado
sem manhã
nem por isso um minuto a menos
nem por isso um café por passar
nem que nos fechem o adamastor.
que decidiste a custo ler
porque era um clássico
e apenas possas das minhas linhas conhecer os nomes de um ou dois protagonistas
talvez eu seja o orvalho
que se demora nas folhas com o verde da manhã
os fugazes minutos da alvorada da meia-estação
talvez nem os relógios contem o tempo
do presente que trago nos braços e não dou a ninguém
talvez nem te lembres dos olhos semicerrados
ou dos beijos desamparados
talvez a música esteja para acabar
e eu seja aquele fim de noite
meio difuso
meio embriagado
sem manhã
nem por isso um minuto a menos
nem por isso um café por passar
nem que nos fechem o adamastor.
segunda-feira, 27 de agosto de 2018
sem título
escreve um poema sem destinatário
entrega já colhido um coração
transportado a temperatura abaixo de zero
afinal de contas, o órgão nem notará diferença.
faz um filho fictício com o céu e as constelações todas
esconde uma galáxia no armário
dá apenas a epiderme no beijo mais fundo
todo de aço
inoxidável.
sexta-feira, 24 de agosto de 2018
falha astronómica
aquela poeta que te diz
que o mais importante da poesia
é falar verdade, não para terceiros
senão para o próprio
e percorres um caminho
de anos-luz e relâmpagos
algumas órbitas
em torno do teu coração
um pulsar um quasar
uma volta no ar
um horizonte de eventos que nem a luz deixa escapar
tantas léguas tantas lágrimas tantas verdades
que nunca escolherás a certa.
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