quinta-feira, 18 de maio de 2017

sexta-feira, 5 de maio de 2017

sem título

muitos gatos
ao redor do eclipse
e uma chama ondulando numa bandeira
à beira do mar
nas mãos de uma criança de olhos vadios
joelhos rotos
e ganas de comandar um exército
capaz de marchar sobre as ondas
em noites de vendaval

guerreiros que nos resgatam
dos túmulos onde morremos.

sexta-feira, 17 de março de 2017

sem título

depenei para quase sempre o maço de tabaco
na ressaca deste chuto nas veias do infinito
resta-me um último cigarro
a que puxarei lume
com a ponta do cérebro que me resta

ainda acesa.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

sem título

apesar da taxonomia
não estamos tão distantes das árvores
não é o tronco que nos faz firmes
mas as raízes.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

sem título

trago aceso o rastilho dos séculos
que percorri numa nave de destroços
até chegar a este estuário
porque a água procura sempre o ponto mais baixo
e lavra sobre a terra vales
com a força de parir mundos
como só as artesãs.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

viagens

estava a estrela venérea já tombando por ali abaixo
no ângulo agudo debruçado sobre o ocidente
e capella ainda chifrada no zénite
quando os cânticos da noite me trouxeram
as letras para este verso:

o granito
se eu fosse uma rocha seria plutónica.