domingo, 30 de agosto de 2015

teoria

só quem nunca sentiu os teus lábios pode dizer que tudo é relativo.

As armas - tradução de "Des Armes", de Léo Ferré.

As armas, as bonitas, as brilhantes
As que devemos limpar amiúde para o prazer
E que devemos acarinhar como para o prazer
E são, ainda, o que faz sonhar os que vivem em comunhão.

As armas, azuis como a Terra
As que devemos guardar no calor do fundo da alma
Nos olhos, nos corações, nos braços de uma mulher
Que guardamos dentro de nós como se guarda um mistério.

As armas, no segredo dos dias
Sob a erva, no céu e na escrita
As que te farão sonhar muito tarde nas leituras
E que trazem a poesia ao discurso.

As armas, as armas, as armas
E os poetas de serviço ao gatilho
Para acender os últimos cigarros
No fim de um verso francês brilhante como uma lágrima.


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

mar

essa maresia de sal
essa habituação de água
essas fragas firmes
que nunca vencem a batalha
esse fundo escuro
essa lua espalhada
esses cardumes dúcteis
que perderam o caos no dia em que nasceram
do meu sangue os elementos químicos e as moléculas.