segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

lembro-me do futuro

escrevi estes versos para os meus filhos
cujos nomes são desconhecidos
da maior parte
o tempo deixa-nos na memória apenas o passado que se acumula sob as finas camadas do presente
mas sabe seus nomes quem luta pelo futuro.

e nós, nós habitamos todo o tempo, e somos daquela porção da humanidade cuja memória guarda já o brilho da luz, o cheiro, e a história de amanhã. nós somos aqueles de quem as mãos, na verdade, são asas.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

quantidade e qualidade

gosto da imagem do copo cheio de água turva pelas argilas em suspensão. em repouso as argilas tendem a pousar, quando a gravidade vence finalmente a agitação e a entropia do sistema baixa ao ponto de a água se separar dos pequenos pedaços de mineral.
é o mesmo copo, é a mesma água, são as mesmas argilas. contudo, pela quantidade de energia que se introduz no sistema, ou que se lhe retira, a alteração é de qualidade. água turva sem depósito no fundo do copo, água límpida e cristalina com as argilas em camadas tranquilas e opacas depositadas.
assim somos nós, um recipiente de lama cuja absorvância depende da agitação.