vim aqui,
a este poema,
dizer-te que foi o maior privilégio
rodar a chave na porta da tua casa
e que cada cerveja contigo
era a última coca - cola do deserto.
sábado, 27 de abril de 2019
sem título
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019
a escola
toda a vida andei numa escola
sem aulas práticas nem valiam a pena as teóricas
e os amigos
ah! os amigos que são de todas as idades
e que ensinam e aprendem como os melhores professores
para eles inventámos um nome
camarada
nome de quem partilha a arma e a munição
o sangue e o coração
a boca aberta num grito ou fechada se for o caso
de ser o silêncio a salvação
pode dar-se a situação
se fores preso, camarada
que isto de democracia é bonito
mas nunca é certo nas mãos da burguesia
podem estalar no ar foguetes
e celebrar-se até em galas e sessões solenes
a pompa da circunstância do momento
que isso, aprendi, não faz da miséria abundância
senão em novela venezuelana
em que o sonho de silicone
surge no sono dos que vêem televisão
toda a vida fiz essa licenciatura
em direitos humanos de verdade sem prémios à mistura
nem nobeis nem sakharovs
que é como quem diz areia pós olhos
e os camaradas sempre atentos
as camaradas sempre em guarda
na linha da frente de rosto levantado
ameaçados e com medo de perder a vida
sabendo que se não forem camaradas
a já perderam
fazem a escola sem recreio
sem receio
opção revolucionária
de fazer sobre os escombros do que aprenderam
aquilo com que sonharam
não, não é por dentro que se muda
caso contrário, estamos fora.
domingo, 10 de fevereiro de 2019
uma rosa
esperei a queda de água de mil clepsidras
pelo teu cheiro
mantive-me à porta entreaberta dos planetas
sem saber das luas cheias
ou das florestas impossíveis
que do horizonte lançavam o azimute do futuro
para que os desnorteados seguissem seu rumo
esperei meia-vida do isótopo mais estável
pela cratera no meio do peito cheia de flores
e pelas pequenas galáxias espalhadas
um pouco por todos os lençóis
até que essa enchente derramasse sobre todas as peles
o toque de uma mão que não larga
que não desiste
que atravessa o vazio inteiro
do que já não nos separa.
pelo teu cheiro
mantive-me à porta entreaberta dos planetas
sem saber das luas cheias
ou das florestas impossíveis
que do horizonte lançavam o azimute do futuro
para que os desnorteados seguissem seu rumo
esperei meia-vida do isótopo mais estável
pela cratera no meio do peito cheia de flores
e pelas pequenas galáxias espalhadas
um pouco por todos os lençóis
até que essa enchente derramasse sobre todas as peles
o toque de uma mão que não larga
que não desiste
que atravessa o vazio inteiro
do que já não nos separa.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
sem título
quero passar o próximo fim do mundo no jardim
com as artérias de um a pulsar no corpo do outro
por dentro
e acordar no dia seguinte e não ser de um sonho.
com as artérias de um a pulsar no corpo do outro
por dentro
e acordar no dia seguinte e não ser de um sonho.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
tempo mau para lirismos
já tantas vezes
é quase certo
te disseram
onde não há verdade
não há poesia
por isso nenhuma onda do mar é poesia
acaso não sejam verdadeiros tanto mar
como onda
nenhum amor em verso que não exista
por isso a revolução poética
é a menos romântica
é a que se faz.
segunda-feira, 19 de novembro de 2018
o caminho
talvez tenhamos escolhido o mais acidentado dos trilhos
porque os suaves não tinham sequer início
talvez a lonjura do possível
voe nas asas desse pássaro quase negro
no ardor sob o peito que prende ao diafragma o pulmão
e faz temer o colapso do amor-abismo
de onde todos queremos precipitar-nos
em salto de fé
o mapa não está revelado
mas sabemos que há demasiadas fortificações pelo caminho
assaltá-las-emos de exércitos unidos
derrubando os monarcas de todo o continente um-por-um
e espalhando cactos que, mesmo sem água séculos,
florescerão em jardim.
porque os suaves não tinham sequer início
talvez a lonjura do possível
voe nas asas desse pássaro quase negro
no ardor sob o peito que prende ao diafragma o pulmão
e faz temer o colapso do amor-abismo
de onde todos queremos precipitar-nos
em salto de fé
o mapa não está revelado
mas sabemos que há demasiadas fortificações pelo caminho
assaltá-las-emos de exércitos unidos
derrubando os monarcas de todo o continente um-por-um
e espalhando cactos que, mesmo sem água séculos,
florescerão em jardim.
quinta-feira, 15 de novembro de 2018
sem título
todos os astros do universo
e mais um
no meu céu nocturno
e uma via láctea inteira ainda por fazer
no caminho.
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