esperei a queda de água de mil clepsidras
pelo teu cheiro
mantive-me à porta entreaberta dos planetas
sem saber das luas cheias
ou das florestas impossíveis
que do horizonte lançavam o azimute do futuro
para que os desnorteados seguissem seu rumo
esperei meia-vida do isótopo mais estável
pela cratera no meio do peito cheia de flores
e pelas pequenas galáxias espalhadas
um pouco por todos os lençóis
até que essa enchente derramasse sobre todas as peles
o toque de uma mão que não larga
que não desiste
que atravessa o vazio inteiro
do que já não nos separa.
domingo, 10 de fevereiro de 2019
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
sem título
quero passar o próximo fim do mundo no jardim
com as artérias de um a pulsar no corpo do outro
por dentro
e acordar no dia seguinte e não ser de um sonho.
com as artérias de um a pulsar no corpo do outro
por dentro
e acordar no dia seguinte e não ser de um sonho.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
tempo mau para lirismos
já tantas vezes
é quase certo
te disseram
onde não há verdade
não há poesia
por isso nenhuma onda do mar é poesia
acaso não sejam verdadeiros tanto mar
como onda
nenhum amor em verso que não exista
por isso a revolução poética
é a menos romântica
é a que se faz.
segunda-feira, 19 de novembro de 2018
o caminho
talvez tenhamos escolhido o mais acidentado dos trilhos
porque os suaves não tinham sequer início
talvez a lonjura do possível
voe nas asas desse pássaro quase negro
no ardor sob o peito que prende ao diafragma o pulmão
e faz temer o colapso do amor-abismo
de onde todos queremos precipitar-nos
em salto de fé
o mapa não está revelado
mas sabemos que há demasiadas fortificações pelo caminho
assaltá-las-emos de exércitos unidos
derrubando os monarcas de todo o continente um-por-um
e espalhando cactos que, mesmo sem água séculos,
florescerão em jardim.
porque os suaves não tinham sequer início
talvez a lonjura do possível
voe nas asas desse pássaro quase negro
no ardor sob o peito que prende ao diafragma o pulmão
e faz temer o colapso do amor-abismo
de onde todos queremos precipitar-nos
em salto de fé
o mapa não está revelado
mas sabemos que há demasiadas fortificações pelo caminho
assaltá-las-emos de exércitos unidos
derrubando os monarcas de todo o continente um-por-um
e espalhando cactos que, mesmo sem água séculos,
florescerão em jardim.
quinta-feira, 15 de novembro de 2018
sem título
todos os astros do universo
e mais um
no meu céu nocturno
e uma via láctea inteira ainda por fazer
no caminho.
segunda-feira, 12 de novembro de 2018
epitáfio para um Comunista
nenhuma liturgia é revolucionária
premissas válidas são as que podemos testar
tudo o resto é idealismo e escuridão.
premissas válidas são as que podemos testar
tudo o resto é idealismo e escuridão.
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
sem título
por minha própria mão
o fogo no coração dos outros
e nunca entrei na unidade de queimados
aquele problema dos incendiários
que ouvem sirenes e se julgam bombeiros
apesar das nuvens e bulcões que os perseguem
até que o sol não brilhe
eis-me sem a matéria em que assento os pés
eis a tremenda massa ígnea que nos ascende
do estômago à alma
que nos transcende da alma à boca
rasgando os tímpanos
de todas as orquestras do mundo
eis um descanso uma clareira uma vontade
onde os lagos reflectem a verdade
aquele velho problema dos incendiários
não têm imagem nos espelhos
e nem sentem o sabor do sangue
e as flores o espanto
é a verdade que muda quando falas verdade.
o fogo no coração dos outros
e nunca entrei na unidade de queimados
aquele problema dos incendiários
que ouvem sirenes e se julgam bombeiros
apesar das nuvens e bulcões que os perseguem
até que o sol não brilhe
eis-me sem a matéria em que assento os pés
eis a tremenda massa ígnea que nos ascende
do estômago à alma
que nos transcende da alma à boca
rasgando os tímpanos
de todas as orquestras do mundo
eis um descanso uma clareira uma vontade
onde os lagos reflectem a verdade
aquele velho problema dos incendiários
não têm imagem nos espelhos
e nem sentem o sabor do sangue
e as flores o espanto
é a verdade que muda quando falas verdade.
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