segunda-feira, 3 de setembro de 2018

sem título

talvez eu seja as dez primeiras páginas do livro
que decidiste a custo ler
porque era um clássico
e apenas possas das minhas linhas conhecer os nomes de um ou dois protagonistas
talvez eu seja o orvalho
que se demora nas folhas com o verde da manhã
os fugazes minutos da alvorada da meia-estação
talvez nem os relógios contem o tempo
do presente que trago nos braços e não dou a ninguém

talvez nem te lembres dos olhos semicerrados
ou dos beijos desamparados
talvez a música esteja para acabar
e eu seja aquele fim de noite
meio difuso
meio embriagado
sem manhã

nem por isso um minuto a menos
nem por isso um café por passar
nem que nos fechem o adamastor.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

sem título

escreve um poema sem destinatário
entrega já colhido um coração
transportado a temperatura abaixo de zero

afinal de contas, o órgão nem notará diferença.

faz um filho fictício com o céu e as constelações todas
esconde uma galáxia no armário
dá apenas a epiderme no beijo mais fundo
todo de aço

inoxidável.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

falha astronómica

aquela poeta que te diz 
que o mais importante da poesia 
é falar verdade, não para terceiros
senão para o próprio
e percorres um caminho 
de anos-luz e relâmpagos 
algumas órbitas 
em torno do teu coração 
um pulsar um quasar
uma volta no ar 
um horizonte de eventos que nem a luz deixa escapar
tantas léguas tantas lágrimas tantas verdades
que nunca escolherás a certa.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

quarta-feira, 25 de julho de 2018

quarta-feira, 18 de julho de 2018

falas mansas

tanta palavra trocada
entre mestre e escravo
não vê o escravo
que a paz não é armísticio
é rendição.