esta ferida fado
aberta
quantas cicatrizes deixará
na vida de um povo
um dia que a veja com os olhos do futuro.
quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
terça-feira, 16 de janeiro de 2018
triunfo
tem o seu quê de injustiça
que a sério mesmo a sério
quem leva os murros no estômago
seja quase sempre
quem o tem vazio.
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
chegada
eis-nos à chegada
do fim do cansaço
para trás a inesquecível estrada
as feridas da viagem fecham capítulos.
o pano húmido nos lábios
em que florescem rubras
as peónias
recompõe-me a coragem e a doçura.
quando a corrente puxa a embarcação e tu estás já no cais,
solta amarras.
do fim do cansaço
para trás a inesquecível estrada
as feridas da viagem fecham capítulos.
o pano húmido nos lábios
em que florescem rubras
as peónias
recompõe-me a coragem e a doçura.
quando a corrente puxa a embarcação e tu estás já no cais,
solta amarras.
terça-feira, 2 de janeiro de 2018
maresia
desaconselha-se magia sem prescrição médica
e o diagnóstico correcto
os mares nunca respeitarão isso enquanto a lua
nos der de mão beijada as marés
e o pico do inverno se elevar sobre as nuvens
explodindo em labaredas nos corações de mãos dadas.
os tripulantes dos navios no horizonte
ao longe verão faróis
o que são na verdade as fogueiras dos meus olhos.
e o diagnóstico correcto
os mares nunca respeitarão isso enquanto a lua
nos der de mão beijada as marés
e o pico do inverno se elevar sobre as nuvens
explodindo em labaredas nos corações de mãos dadas.
os tripulantes dos navios no horizonte
ao longe verão faróis
o que são na verdade as fogueiras dos meus olhos.
segunda-feira, 1 de janeiro de 2018
domingo, 3 de dezembro de 2017
m.a.r.
depois dos faróis apagados
é que as estrelas são úteis
e a navegação tolera a vaga
que já não esconde o horizonte
que importa o horizonte
no mar quando não há terra.
é que as estrelas são úteis
e a navegação tolera a vaga
que já não esconde o horizonte
que importa o horizonte
no mar quando não há terra.
quarta-feira, 29 de novembro de 2017
sem título
em quantas paredes
de quantas casas
pintaste o teu nome com o sangue de quem lá mora
em quantas muralhas
abriste a fenda da derrota
quantos milhares de gotas de chuva
morreram às tuas mãos
por teres a garganta seca
por ires por essa noite afora
na treva unida e límpida
de archote aceso ao vento
ofegante e ligeiro com os pés descalços
pelo ladrilho molhado
como quem grita ao mundo
que está aqui.
de quantas casas
pintaste o teu nome com o sangue de quem lá mora
em quantas muralhas
abriste a fenda da derrota
quantos milhares de gotas de chuva
morreram às tuas mãos
por teres a garganta seca
por ires por essa noite afora
na treva unida e límpida
de archote aceso ao vento
ofegante e ligeiro com os pés descalços
pelo ladrilho molhado
como quem grita ao mundo
que está aqui.
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