quero que morras depois de mim
sabendo o que se lerá no teu epitáfio
depois de beber-te do crânio nu o sangue vivo.
quarta-feira, 22 de novembro de 2017
segunda-feira, 20 de novembro de 2017
a luz é um lugar sombrio
até passar a ombreira
das portas que ninguém quer abrir
principalmente eu
nunca pensei que o escuro tivesse um som tão duro
tão rombo
como terra se abatesse sobre o corpo
na ponta de uma pá
segura nas minhas próprias mãos
sempre necrófago devorei corações mortos
agora em recuperação
habituo-me a custo
a corações ressuscitados.
a luz habita a voz da escuridão
e vice-versa.
das portas que ninguém quer abrir
principalmente eu
nunca pensei que o escuro tivesse um som tão duro
tão rombo
como terra se abatesse sobre o corpo
na ponta de uma pá
segura nas minhas próprias mãos
sempre necrófago devorei corações mortos
agora em recuperação
habituo-me a custo
a corações ressuscitados.
a luz habita a voz da escuridão
e vice-versa.
sábado, 18 de novembro de 2017
pensamento sobre o estado da arte
não me preocupa, do ponto de vista estético, que as combinações de palavras tristes, frases de auto-ajuda e inspiração, componham os livros mais vendidos do mercado como resultado de uma receita repetida ao expoente da loucura.
preocupa-me do ponto de vista social. só uma sociedade carregada de frustrados, tristes, deprimidos e carentes pode ver inspiração em parasitismo.
sim, quem usa as palavras para explorar a dor alheia, ou a carência alheia, em vez de o fazer para expressar o que sente, para expressar as coisas com aquela verdade que até assusta o próprio autor, está a parasitar as necessidades do outro e não a dar um pedaço ao mundo. está a tirar do mundo para si.
sexta-feira, 17 de novembro de 2017
sem título
sim podes regressar
apesar de não teres partido
esta é a última viagem
dos amantes perdidos
pode durar para sempre
nunca navegará duas vezes a mesma onda.
apesar de não teres partido
esta é a última viagem
dos amantes perdidos
pode durar para sempre
nunca navegará duas vezes a mesma onda.
sem título
na floresta as sombras são mais pequenas no inverno
é mais solitária na multidão
a mão estendida do homem ao abandono
o dia espalha-se mais luminoso entre árvores despidas.
é mais solitária na multidão
a mão estendida do homem ao abandono
o dia espalha-se mais luminoso entre árvores despidas.
quinta-feira, 16 de novembro de 2017
sem título
aqui estamos sentados
à beira do planeta
não é azul
afinal
é transparente.
daqui vemos os mares
e os continentes
cumprindo historicamente
o desígnio de conter
e nós alados
jamais nos permitiríamos
correr atrás da nossa cauda
às voltas num astro redondo.
à beira do planeta
não é azul
afinal
é transparente.
daqui vemos os mares
e os continentes
cumprindo historicamente
o desígnio de conter
e nós alados
jamais nos permitiríamos
correr atrás da nossa cauda
às voltas num astro redondo.
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