sim podes regressar
apesar de não teres partido
esta é a última viagem
dos amantes perdidos
pode durar para sempre
nunca navegará duas vezes a mesma onda.
sexta-feira, 17 de novembro de 2017
sem título
na floresta as sombras são mais pequenas no inverno
é mais solitária na multidão
a mão estendida do homem ao abandono
o dia espalha-se mais luminoso entre árvores despidas.
é mais solitária na multidão
a mão estendida do homem ao abandono
o dia espalha-se mais luminoso entre árvores despidas.
quinta-feira, 16 de novembro de 2017
sem título
aqui estamos sentados
à beira do planeta
não é azul
afinal
é transparente.
daqui vemos os mares
e os continentes
cumprindo historicamente
o desígnio de conter
e nós alados
jamais nos permitiríamos
correr atrás da nossa cauda
às voltas num astro redondo.
à beira do planeta
não é azul
afinal
é transparente.
daqui vemos os mares
e os continentes
cumprindo historicamente
o desígnio de conter
e nós alados
jamais nos permitiríamos
correr atrás da nossa cauda
às voltas num astro redondo.
sábado, 4 de novembro de 2017
sem título
este poema não é sobre nós
quando a mão se nos estende
as polpas dos dedos são raízes para as galáxias
cabo que amarra ao ferro
no fundo do mar
iça do meio do peito
a alma segura
pelo estai dos desgraçados
que nunca desistem
de ser cais
da mais deserta embarcação.
quando a mão se nos estende
as polpas dos dedos são raízes para as galáxias
cabo que amarra ao ferro
no fundo do mar
iça do meio do peito
a alma segura
pelo estai dos desgraçados
que nunca desistem
de ser cais
da mais deserta embarcação.
quarta-feira, 1 de novembro de 2017
sem título
para onde vão os fantasmas
quando o amor se separa da carne
e o corpo exangue teima em não sucumbir.
quando o amor se separa da carne
e o corpo exangue teima em não sucumbir.
segunda-feira, 30 de outubro de 2017
pagão
a chama no peito
humores semente
não é asséptico o clamor
da nossa beleza
porque isto de nascer de um ventre
de pele sanguínea
é sempre
um ardor que permanece
tanto nas asas
como no útero
dessa massa lama
se faz gente
que cavalga o mar
sobre o dorso dos monstros marinhos
e sobrevive a si própria
com amor
e nojo
deus, nosso pai, fez-nos à sua imagem.
felizmente saímos à mãe.
humores semente
não é asséptico o clamor
da nossa beleza
porque isto de nascer de um ventre
de pele sanguínea
é sempre
um ardor que permanece
tanto nas asas
como no útero
dessa massa lama
se faz gente
que cavalga o mar
sobre o dorso dos monstros marinhos
e sobrevive a si própria
com amor
e nojo
deus, nosso pai, fez-nos à sua imagem.
felizmente saímos à mãe.
domingo, 29 de outubro de 2017
Subscrever:
Mensagens (Atom)