deste navio
o mundo é o aicebergue.
quando ouço as conversas
já quase ninguém lembra o teu nome
e eu penso
isso não faz sentido
porque como pode alguém esquecer
o nome da única flor que sobrevive ao inverno
nem a extinção da humanidade
nem uma nuvem que envolva o globo
ou a acidificação dos oceanos todos
pode tornar sequer compreensível
que se suma o teu nome de todas as palavras.
todos os dias uma lua cheia
todos os dias cento e doze marés
vinte e oito pores-do-sol
cinquenta e seis voltas do ponteiro das horas
dois milhões de batimentos cardíacos
e todas as lagartas do mundo a sair do casulo de asas abertas porque as células imaginais ganharam todas as batalhas travadas.