segunda-feira, 17 de julho de 2017

praia convento

a flat earth society ignora os princípios da física.

por mais voltas que dê, vou dar sempre a ti.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

gente-nada

aguarda que o pó e a pele
abandonem o tempo
para não restar
no que comes,
vestígio das mãos sujas
e quando não chega o tempo
a escola ensina quão moderno
é o mundo da internet
e as televisões apagam a luz
para adormeceres acordado

e das crianças-nada
escravos-nada
homens-nada
mulheres-nada

já ninguém se pergunta
a não ser essa galáxia de gente-nada
que é a maioria.

domingo, 9 de julho de 2017

headline

desmontada rede de crime organizado
dezenas de líderes políticos e religiosos
presentes a tribunal por falsificação de esperanças.

terça-feira, 4 de julho de 2017

inconquistável

envia toda a armada
naus fragatas e galés
todos os homens e munições
usa toda a força
e a coragem de derramar nas minhas praias todo o teu sangue

se queres conquistar-me a américa indígena.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

solstício

tivemos um solstício curto
ao contrário dos que vivem as horas
independentemente da época
umas sobre as outras sem distinção
uma noite curta
um dia não tão longo quanto a translacção do planeta parecia permitir
traídos por uma precessão própria quem sabe

isto de a terra ter dois pólos acaba por influenciar os nativos de todos os signos
poemas madrugadas
poemas meia noite
e tanto o sorriso se esvai em lágrimas
como os pulsos latejam sangue
pressuroso para escorrer sob as unhas dos que

sem saber da estrela polar

se desorientam por mais que gritem ao vento


tivemos um solstício curto
disso nada sabem os sãos
para quem os dias e as noites
e as horas e os minutos têm todos, uns atrás dos outros, para sempre, o mesmo comprimento
de uma cobra que se alimenta da cauda sem princípio nem fim
que começa e acaba no espectro do audível
na vibração perceptível
de todas as partículas
menos as de si próprios
que passaram a barreira do som
e já só os gatos as ouvem

tivemos as mãos atadas
por uma guita fina
chamada vontade
ou falta dela
tivemos as mãos libertas
por uma faca romba
do mesmo nome
ou falta dele.

eu nunca serei o cheiro da chuva no chão
porque não cheguei a nuvem

eu nunca serei foz
porque me afoguei na nascente.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

sexta-feira, 5 de maio de 2017

sem título

muitos gatos
ao redor do eclipse
e uma chama ondulando numa bandeira
à beira do mar
nas mãos de uma criança de olhos vadios
joelhos rotos
e ganas de comandar um exército
capaz de marchar sobre as ondas
em noites de vendaval

guerreiros que nos resgatam
dos túmulos onde morremos.