este chão de mandrágora
que piso
é onde jaz fértil a semente
do desconhecido.
domingo, 19 de fevereiro de 2017
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
sem título
trago aceso o rastilho dos séculos
que percorri numa nave de destroços
até chegar a este estuário
porque a água procura sempre o ponto mais baixo
e lavra sobre a terra vales
com a força de parir mundos
como só as artesãs.
que percorri numa nave de destroços
até chegar a este estuário
porque a água procura sempre o ponto mais baixo
e lavra sobre a terra vales
com a força de parir mundos
como só as artesãs.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
viagens
estava a estrela venérea já tombando por ali abaixo
no ângulo agudo debruçado sobre o ocidente
e capella ainda chifrada no zénite
quando os cânticos da noite me trouxeram
as letras para este verso:
o granito
se eu fosse uma rocha seria plutónica.
no ângulo agudo debruçado sobre o ocidente
e capella ainda chifrada no zénite
quando os cânticos da noite me trouxeram
as letras para este verso:
o granito
se eu fosse uma rocha seria plutónica.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
sem título
estou certo de que ali à beira da livraria do Mondego ainda para lá se vendiam morangos, maçãs e laranjas, mas um ano sobre a passagem referida faz-me assumir e esperar que sejam já outros. o frio substituiu a revolta da chuva e do vento e congelou-nos a respiração que agora se prende na garganta como aqueles nós que nos ficam nos momentos de embargo. tal é a temperatura e o inverno.
e vem-se por ali abaixo, por entre as montanhas, cortando o ar com um gume motorizado e jamais se adivinha o que vem a seguir, apesar de ter feito já tantas vezes a mesma estrada. nunca contes com um livro escrito na vida. a noite passada, viraste as páginas ímpares sem te dares conta das pares.
nessa livraria grande que orla o rio maior, desfolhas o passado e aguardas o futuro. mas não, mas nunca, como o peixe que fica na torrente sem nadar.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
sem título
todos os que habitam a terra de nortia
merecem uma baía
no refúgio de uma encosta a sul
onde tu sejas a enorme montanha
e o poderoso quebra-mar.
merecem uma baía
no refúgio de uma encosta a sul
onde tu sejas a enorme montanha
e o poderoso quebra-mar.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
sem título
descobre o manto
não é ignorância
é ocultação
habitua docemente os olhos
ao brilho
educa docemente a alma
para a revolução
erguido e clarividente
nada peças docemente
reclama apenas o que é teu
com toda a força
de cada mão.
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