a liberdade mede-se em graus
como os ângulos
se o seno for menor que um
estas cativo da tua inclinação.
quinta-feira, 14 de julho de 2016
trigonometria
terça-feira, 21 de junho de 2016
sem título
talvez já não haja morangos. há cerejas, maçãs e laranjas era o que agora se podia ler na mesma placa de madeira erguida na beira da estrada. por perto, o sol só permitia uma pequena sombra junto ao balcão improvisado na lateral da camioneta. e as cerejas, algumas ao sol, reflectiam o vermelho da luz solar com fulgor. não consigo já distinguir na memória se alguém se preparava para trazer cerejas, maçãs ou laranjas a dois euros o quilo, mas espero que sim, para que não desistam de anunciar fruta à beira das estradas e para que nos dias de verão a minha irmã possa sempre parar o carro para provar uma melancia fresca, mesmo que a não compre.
foi longo o vendaval do inverno. mas tudo tem o seu fim, ainda que temporário. a superfície do mondego não estava agitada e a água podia assim reflectir sem perturbação o verde das margens vivas, o cinza da livraria litológica e o azul do céu. se é bonito o quadro que a a luz reflectida e a paisagem pintam no encaixe do mondego algures entre os distritos duros de coimbra e viseu, é porque ainda não vimos o que faz a luz refractada pelo rio adentro. aqueles raios oblíquos do sol que perfuram com novo ângulo a superfície e vão iluminar os olhos sempre abertos dos peixes que aproveitam a corrente laminar para descansar. os que lutaram, claro, porque dos outros não reza a história. e as algas, que na torrente do inverno mal se prendem na rocha do leito, agora ondulam como uma seara verde no vento suave. são assim mesmo as coisas: o mesmo rio que arrancou pedras e agitou o próprio coração de quem o viu, é o que agora permite que o espelho à sua superfície reflicta almas tranquilas.
o mesmo rio que levantava pedras, areias, siltes e argilas, não tem agora força para turvar a água com a mais pequena partícula. voltará a ter, é certo. mas só quando os finos assentam, podemos ver através da água. desta vez, parece que me terei deixado levar pela simplicidade das impressões. e eis que, assente a poeira, também se desfazem ilusões: não há meias palavras para dizer a verdade.
terça-feira, 24 de maio de 2016
segunda-feira, 16 de maio de 2016
lugar
quando volto aos meus lugares
entendo novamente aquela distância imensa
entre nós e o horizonte
como entre solidão e estar sozinho.
quando regresso aos meus lugares
sinto na polpa dos dedos o toque da pele
indígena
que nos reveste
por dentro.
quarta-feira, 13 de abril de 2016
Porto, Abril de 2016
cidades-lágrimas são calor no meio das pedras.
as gotas da chuva reflectem, cada uma, todo o mundo ao ser redor e, enquanto a gravidade as vence, reflectem na superfície a paisagem cada vez mais pequena que, ainda assim, partilha sempre metade de cada uma com o céu de onde vieram.
até que na terra se desfaçam em mil outras gotas ou se infiltrem pelos espaços vazios entre os grãos de areia, siltes ou argilas que convivem com a morte e a vida dos que jazem e dos que dos que jazem se alimentam. ou que, por vezes, na nossa pele salpiquem a temperatura das alturas a que pertenciam quando sucumbiram, por falta de agitação molecular que lhes permitisse vencê-la, à inexorável força da massa terrestre que as não deixa fugir.
no dorso do vento frio, que enche os espaços deixados pela baixa pressão, a memória dos teus lugares preferidos é o sangue do teu calor, da tua ilha, neste arquipélago onde, ao contrário dos geológicos, cada ilha faz o seu próprio vulcão.
Porto, Abril de 2016
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
sem título
para serem expulsas do paraíso
que mal terão feito as aves
e não me digam que comeram uma maçã
por ouvir sibilar uma serpente
que mal terão feito as aves
e não me digam que comeram uma maçã
por ouvir sibilar uma serpente
Subscrever:
Mensagens (Atom)