enquanto sob os teus pés se contorcem as labaredas
a figueira-do-diabo ferve-te as artérias
e o sono falta-te como te falta o aconchego
de uma voz que murmura
as folhas caídas de um outono distante
crepitam agora toda a noite
a lava ilumina apenas os que fecham os olhos
não é um incandescência qualquer.
terça-feira, 9 de junho de 2015
sexta-feira, 5 de junho de 2015
quinta-feira, 4 de junho de 2015
sem título
ainda tenho na ponta dos dedos
o sabor da tua alma
na língua
o tacto telúrico do teu calor.
do sol raios já deitados douram a minha pele
e nua abraças a minha cor acesa.
até que a luz, de tão rara, se extinga.
o sabor da tua alma
na língua
o tacto telúrico do teu calor.
do sol raios já deitados douram a minha pele
e nua abraças a minha cor acesa.
até que a luz, de tão rara, se extinga.
terça-feira, 2 de junho de 2015
sem título
é natural quartzo hialino
ser vidro
cacau ser chocolate de leite
é natural alma ser corpo
e pele ser apenas superfície
é natural no mundo de plástico
flores verdadeiras
não merecerem água.
quinta-feira, 28 de maio de 2015
História
o homem constrói o mundo
o tempo é simultaneamente matéria-prima, meio e substrato
é o materialismo poético.
o tempo é simultaneamente matéria-prima, meio e substrato
é o materialismo poético.
sexta-feira, 22 de maio de 2015
o passado é para sempre
sob a pele nos ficam as tatuagens
por cada vez que no peito nos bate outro coração.
por cada vez que no peito nos bate outro coração.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
última página
esta é a última página deste livro
que no horizonte falso acendeu madrugadas
e estrelas
e no fogo consumiu manhãs e noites que nunca foram frias
esta é a última página deste livro
a primeira da minha vida
rasguei-a
ao vento que te agitava os cabelos
e entrava vindo do mar na casa em que não escrevi prefácio
a última página do livro não é a melhor
é a última
sem ela restaria a edição póstuma reunida pelos familiares sobreviventes.
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