terça-feira, 5 de maio de 2015

estética do domínio II

toda a pobreza é bela aos olhos do homem que negoceia peles, ossos, braços e cérebros de outros homens.

terça-feira, 28 de abril de 2015

vertigem

a vertigem
é um ponto de fuga
um nadir desimpedido
de espaço nenhum 
entre nós e a mais distante parede do universo

a vertigem 
é um ponto bem debaixo dos teus pés
quando não há chão que pises

a vertigem 
é a expiração 
que não se segue de inspiração.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

quarta-feira, 25 de março de 2015

sem título

que as lâminas de água dos rios se perturbem
e a turbulência agite as moléculas do tempo

do tempo
esse companheiro assassino
que nos enfia o veneno oxidante
pela alma adentro
até aos pulmões.

terça-feira, 24 de março de 2015

sem título

de quantas vozes o destino
é assassino
de quantos destinos as mãos
são o martelo e o escopro
de todos o céu escuro só mostra
pequenos pontos

a astronomia e o bom senso negam relação

de todos é o sopro
que trazemos dentro do coração
o mais constante
o mais fiel e dedicado artesão


segunda-feira, 23 de março de 2015

segunda semana

da janela por onde olho
o longe quase me toca a ponta dos dedos
o beijo no ombro
o cheiro da manhã
de maio mesmo aqui
enquanto passa ao longe uma semana
que navega as águas do rio.

domingo, 22 de março de 2015

sem título

quando o futuro é um espinho
que se te crava na garganta
e o presente um peso
que te amarra ao fundo do mar
toda a tua esperança é o passado
e o passado nunca é esperança