é neste último cigarro de vinho
que evapora dos meus ombros o peso das horas
que o fôlego brando do descanso me toma
e o ar limpo me respira
que a noite vem suave pousar-me na têmpora o seu beijo
me entrega no pio das corujas brancas
e finalmente
no silêncio
terça-feira, 18 de novembro de 2014
poema da noite e do egoísmo
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
sem título
tenho o duro obstáculo das letras
que não posso ordenar em palavras
porque a janela por vezes se fecha
e a brisa não entra
os pulmões não ardem
e as papilas gustativas não sentem mais
que a textura de um papel em branco
das melodias talvez a mais pura
por ser a do silêncio ausência
tempo de tudo
que traz mensagens do limiar do vazio
que só alguns podem ouvir e decifrar
principalmente escrever nos átomos
que nos fazem vibrar
e acender
vazio de todas a mais bela forma
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
sem título
fosse sob as ramagens agitadas
fosse vento
fosse mesmo de noite
em pleno sol e a sombra inexistente
fosse meio despida
a saia levantada
a roupa desviada com a ponta dos dedos
ou nu integral
com vinho
sem água
porta aberta
sem ninguém ver
olhos fechados vendados ou abertos
fosse no leito no peito
no parapeito
e a chuva lá fora
tu molhada
e eu lá dentro
fosse com a língua no sexo
ou a respiração atrás do pescoço
fosse no chão duro
ou na macieza de um areal de seda
sem tremer
quase sem respirar
fosse com o esqueleto ao relento
a vibrar de tanto frio
em pé de pé
de costas
um beijo
uma noite
duas horas
um minuto
uma onda do mar
um toque de veludo
é sempre amor
mas não é todo o amor
fosse vento
fosse mesmo de noite
em pleno sol e a sombra inexistente
fosse meio despida
a saia levantada
a roupa desviada com a ponta dos dedos
ou nu integral
com vinho
sem água
porta aberta
sem ninguém ver
olhos fechados vendados ou abertos
fosse no leito no peito
no parapeito
e a chuva lá fora
tu molhada
e eu lá dentro
fosse com a língua no sexo
ou a respiração atrás do pescoço
fosse no chão duro
ou na macieza de um areal de seda
sem tremer
quase sem respirar
fosse com o esqueleto ao relento
a vibrar de tanto frio
em pé de pé
de costas
um beijo
uma noite
duas horas
um minuto
uma onda do mar
um toque de veludo
é sempre amor
mas não é todo o amor
sem título
do comboio ficam para trás
todas as paisagens
os homens e as mulheres distantes
os prédios cinzentos
os campos verdes ou amarelos
e a linha do destino vai-se desenhando
lentamente no horizonte
enquanto se desfaz nos carris o desenho
da origem
todas as paisagens
os homens e as mulheres distantes
os prédios cinzentos
os campos verdes ou amarelos
e a linha do destino vai-se desenhando
lentamente no horizonte
enquanto se desfaz nos carris o desenho
da origem
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
pensamento ii
em certo sentido somos obras de arte, porque ao transcender-se pela arte, o nosso antepassado, gerou um ser mais próximo do que somos hoje. nos riscos, ou canções, nos tambores ou danças, estavam as sementes de todos os sonhos, da celebração da alegria à sagração da tristeza. como o Ouroboros que devora a própria cauda, a arte é o Homem e o Homem é a arte. a experiência criativa, criou outros homens, outras mulheres, novos, com sonhos mais fundos e com mais pincéis para pintar de todas as cores o futuro.
nesse sentido, sorrio, porque algures na minha árvore genealógica está a poesia.
nesse sentido, sorrio, porque algures na minha árvore genealógica está a poesia.
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
sem título
o corvo negro pousou no ramo mais alto
e as suas penas brancas incendiaram
os luminosos raios da lua nova
enquanto o dia espalhava pelos céus a mais funda escuridão
a madrugada chegou sobre os meus lábios
e o horizonte ténue diluíu-se num mar
enquanto o sal puro se espalhou na sombra
de todos os sonhos, dos que nos fazem respirar
o corvo branco acenou
e leve levantou o voo dos grandes pássaros
sem medo do sol
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