quarta-feira, 5 de novembro de 2014

pensamento ii

em certo sentido somos obras de arte, porque ao transcender-se pela arte, o nosso antepassado, gerou um ser mais próximo do que somos hoje. nos riscos, ou canções, nos tambores ou danças, estavam as sementes de todos os sonhos, da celebração da alegria à sagração da tristeza. como o Ouroboros que devora a própria cauda, a arte é o Homem e o Homem é a arte. a experiência criativa, criou outros homens, outras mulheres, novos, com sonhos mais fundos e com mais pincéis para pintar de todas as cores o futuro.

nesse sentido, sorrio, porque algures na minha árvore genealógica está a poesia.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

sem título

o corvo negro pousou no ramo mais alto
e as suas penas brancas incendiaram
os luminosos raios da lua nova
enquanto o dia espalhava pelos céus a mais funda escuridão

a madrugada chegou sobre os meus lábios
e o horizonte ténue diluíu-se num mar
enquanto o sal puro se espalhou na sombra
de todos os sonhos, dos que nos fazem respirar

o corvo branco acenou
e leve levantou o voo dos grandes pássaros
sem medo do sol

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

vermelho

escala de cinzas
plúmbeos
sobre os ombros dos homens
e mãos abandonadas
acorrentadas 
só a bandeira vermelha 
alta 
sanguínea
liberta a cor 
o vigor 
ainda que sob o peso do chumbo tombem
os que a erguem.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

espelho

tal é o silêncio que o espelho na pele nos retribui
e vazios os corpos se somos nós enchê-los de alma
tão vagaroso é o vento nas folhas do meu livro
que só nos outros posso ver os meus cantos
ver os outros eu pudera não ser desconhecido de ninguém.

sem título

onde as cinzas descansam esteve aceso o lume
nos espinhos de hoje ainda há sangue de messias
e talvez antes do lume houvera já cinzas
e antes dos espinhos messias em sangue 

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

sem título

já os caminhos são sombras
uma ruína no futuro
um castelo

já o abismo nos tomou nos braços
um trapo branco ondula
sobre o terreno sanguíneo das batalhas perdidas

o braço pende
o teu sorriso morreu de uma apneia demasiado longa
e o copo onde guardavas a alma derramou-se
sobre a nudez dos poemas