no olho uma lágrima de saudade
um brilho de eternidade
que não se desmentem
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
sem título
o corvo negro pousou no ramo mais alto
e as suas penas brancas incendiaram
os luminosos raios da lua nova
enquanto o dia espalhava pelos céus a mais funda escuridão
a madrugada chegou sobre os meus lábios
e o horizonte ténue diluíu-se num mar
enquanto o sal puro se espalhou na sombra
de todos os sonhos, dos que nos fazem respirar
o corvo branco acenou
e leve levantou o voo dos grandes pássaros
sem medo do sol
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
vermelho
escala de cinzas
plúmbeos
sobre os ombros dos homens
e mãos abandonadas
acorrentadas
só a bandeira vermelha
alta
sanguínea
liberta a cor
o vigor
ainda que sob o peso do chumbo tombem
os que a erguem.
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
espelho
tal é o silêncio que o espelho na pele nos retribui
e vazios os corpos se somos nós enchê-los de alma
tão vagaroso é o vento nas folhas do meu livro
que só nos outros posso ver os meus cantos
ver os outros eu pudera não ser desconhecido de ninguém.
sem título
onde as cinzas descansam esteve aceso o lume
nos espinhos de hoje ainda há sangue de messias
e talvez antes do lume houvera já cinzas
e antes dos espinhos messias em sangue
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
sem título
já os caminhos são sombras
uma ruína no futuro
um castelo
já o abismo nos tomou nos braços
um trapo branco ondula
sobre o terreno sanguíneo das batalhas perdidas
o braço pende
o teu sorriso morreu de uma apneia demasiado longa
e o copo onde guardavas a alma derramou-se
sobre a nudez dos poemas
uma ruína no futuro
um castelo
já o abismo nos tomou nos braços
um trapo branco ondula
sobre o terreno sanguíneo das batalhas perdidas
o braço pende
o teu sorriso morreu de uma apneia demasiado longa
e o copo onde guardavas a alma derramou-se
sobre a nudez dos poemas
"enquanto estás à espera ninguém te pode ajudar"
vieram aos montes do outro lado do rio, sobre solas desfeitas,
vieram arrastando as pernas magras pesadas,
vieram em multidões, atravessaram desertos e a sede e a fome e o sol,
vieram nessa marcha longa de mãos dadas, de todos os cantos do mundo, principalmente do poente,
vieram com o mundo nas mãos sem força para segurar um pão
eram escravos,
eram servos,
eram operários,
vieram do mais longe do tempo,
de uma floresta devastada,
de um caminho de ferro
(a perder de vista),
vieram dos campos gelados e dos mares revoltos,
no dorso de um cavalo esquálido,
vieram da máquina,
de uma fábrica, do ruído,
vieram de uma bancada, de um torno,
vieram de enxada,
de enxurrada,
vieram da raiva, das mãos duras e dos olhos tristes,
vieram de longe até chegar aqui.
e quando aqui chegaram fizeram o mundo
que toda a vida tinham esperado de deus.
vieram arrastando as pernas magras pesadas,
vieram em multidões, atravessaram desertos e a sede e a fome e o sol,
vieram nessa marcha longa de mãos dadas, de todos os cantos do mundo, principalmente do poente,
vieram com o mundo nas mãos sem força para segurar um pão
eram escravos,
eram servos,
eram operários,
vieram do mais longe do tempo,
de uma floresta devastada,
de um caminho de ferro
(a perder de vista),
vieram dos campos gelados e dos mares revoltos,
no dorso de um cavalo esquálido,
vieram da máquina,
de uma fábrica, do ruído,
vieram de uma bancada, de um torno,
vieram de enxada,
de enxurrada,
vieram da raiva, das mãos duras e dos olhos tristes,
vieram de longe até chegar aqui.
e quando aqui chegaram fizeram o mundo
que toda a vida tinham esperado de deus.
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