sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

sem título

de um cavalo negro 
se espera que voe como fumo.
de um furacão que se extinga em chamas
e labaredas pelo chão.
espero de um coração que deixe de bater 
enquanto o corvo não deixe de voar.
espero de um palácio que se vire do avesso, 
pela porta dos fundos.
do mar que se eleve aos céus trocando de lugar.
espero que dos olhos pendam lágrimas de sangue
que não sejam de santo.
espero que as rosas virem apenas espinhos.
e que a "ave do deserto" nunca parta do "céu".

espero,
 
enfim,

que dos versos colapsem os limites 
do razoável. 
que do universo se extinga o infinito nas nossas mãos.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

obrigado

um poeta com as veias abertas
e exposto
em cada sí-la-ba
dos versos lidos. é o que é.
e a gente nem se apercebe que está a ler as entranhas
de outro, de uma pessoa que, sabe-se lá porquê,
talvez por não conseguir de outra forma,
espetou a alma numa folha de papel.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

convocatória

de todos os momentos que me convocam
o mais compulsivo é o agora,
o hoje enquanto morre gente
por não responder à chamada.
de todos os momentos que nos convocam,
de todos os sussurros que na verdade são gritos
que chegam desmaiados pela distância,
o mais obrigatório é o agora.

o entretanto é tempo de sobra para perder a vida
de uma criança.

às armas.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Por palabras


Joven poeta
busca voluntarios
para darle muerte
el día en que
se convierta en
un burgués
autoconvencido
de su propia valía
y haya olvidado que
una vez
puso este anuncio.




Pepe Ramos

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

sem título

se tudo quanto levas contigo é a morte,
que deixes tudo quanto possas de ti na vida. 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

sem título

a poesia é um ribeiro límpido
laminar, ladeado pelo musgo verde dos bosques húmidos 
e escuros de tranquilidade
ou um fogo cortante
lava incandescente no centro de um vulcão mortal
a poesia é uma mulher nua no meu quarto 
enquanto as cortinas translucidas ondulam com a brisa da primavera
ou a solidão agreste e a garrafa de vinho abandonada
e o cigarro quase apagado fumegando pequenas nuvens 
de tristeza
a poesia não é feita de versos.

sábado, 26 de outubro de 2013

a AC

temem-te os que temem a humanidade;
amam-te os humanos.

em vida, e no exemplo imortal que se projecta 
como uma luz ao fundo da história.