o vento sopra as vidas que navegam o mar contra o horizonte claro,
um vento quente, um sopro com cheiro a primavera sempre,
como assim durassem as árvores floridas nas avenidas..
só esses ventos assim, de beijos esfuziantes, são capazes de encher o nosso peito.
domingo, 24 de junho de 2012
quinta-feira, 14 de junho de 2012
segunda-feira, 11 de junho de 2012
aurora
no dorso o sol a pique,
mãos rasgando o chão para comer.
para viver, não pode levantar-se
o homem que nasceu para andar erguido.
foi vergado por quem nasceu
de espírito já partido,
sem coluna, verme protegido.
do chão emerge a vida de ambos,
a de um pelo trabalho de suas mãos, a do outro
pela fome de cada mão.
não percebe quem com seus braços sulca a terra
que assim sulca a história e escreve as linhas do futuro.
o sol um dia trará também essa aurora de fogo
(de libertação) e comerá apenas quem quiser amassar o pão.
mãos rasgando o chão para comer.
para viver, não pode levantar-se
o homem que nasceu para andar erguido.
foi vergado por quem nasceu
de espírito já partido,
sem coluna, verme protegido.
do chão emerge a vida de ambos,
a de um pelo trabalho de suas mãos, a do outro
pela fome de cada mão.
não percebe quem com seus braços sulca a terra
que assim sulca a história e escreve as linhas do futuro.
o sol um dia trará também essa aurora de fogo
(de libertação) e comerá apenas quem quiser amassar o pão.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
o mito segundo narciso (reedição)
quando ela morreu, o mundo, infelizmente, não cessou. e os dias passavam agora penosos, eras a cada lua. na floresta onde caçavam, vagueava inconscientemente, entorpecido. havia um vazio nos seus olhos que só viam saída nas lágrimas cheias que pendiam, permanentes.
quando ela morreu, o mundo, infelizmente, continuou. e ele, perdia a continuidade do seu ser, um pedaço de alma, como um pedaço da vida. narciso arrastava os pés por entre as árvores. eco seguia-o sentindo a dor.
nas sombras oblíquas da floresta, por onde haviam passeado as musas nas horas matinais que se iam e por onde hades passearia nos instantes que se seguiam em busca de perséfone para se saciar, jazia um lago que reflectia o céu por entre folhagens. quando caiu, debruçou-se, infinitamente triste sobre as águas espelhadas e serenas.
ali, mesmo ali, jazia a imagem gémea dela. não mais desviou seus olhos da água que chorava com ele. eco, bela, olhou seu corpo moribundo e chorou. no lugar onde narciso adorou a sua irmã, deixou uma flor que ali cresceu.
ilustração "Eco" de M.
sábado, 2 de junho de 2012
- sem título -
sábado, está uma chuva miudinha e um nevoeiro marinho. dentro de mim estaria um deslumbrante sol fosse outra a meteorologia.
partilho assim com o dia a translucência fosca e a escuridão.
partilho assim com o dia a translucência fosca e a escuridão.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
turbulências
se te sabe a mar o céu da boca,
serão ondas ou lágrimas que te enchem?
se por dentro te faltam as forças,
ou tremem as vigas que te sustentam,
serão sismos ou dúvidas que te esvaziam?
são fantasmas,
são ventos,
são rios caudalosos de águas lamacentas,
turbulentas.
serão ondas ou lágrimas que te enchem?
se por dentro te faltam as forças,
ou tremem as vigas que te sustentam,
serão sismos ou dúvidas que te esvaziam?
são fantasmas,
são ventos,
são rios caudalosos de águas lamacentas,
turbulentas.
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