sexta-feira, 13 de abril de 2012

- sem título -

cerro as mãos e agarro o vazio,
volto-as abertas e olho o rodopio
de nada que as abandona.

escuto-me em vão,
nem o vento.

sopra apenas um ar parado,
no lugar que me esgota o peito.

em vão,
nem o vento.

acordo de um delírio
e percebo que afinal nunca dormi, estive sempre acordado.

em vão,

nem

o

vento.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

não me digam "abre os olhos"

ninguém traz os olhos fechados,
mas é complexa a paisagem,
e ofusca tanto a luz do sol,
como nos tolda a escuridão.

niguém traz fechados os olhos,
mas no breu vislumbrar é capacidade
dos morcegos e lobos.
ofusca tanto a luz do sol, quanto nos tolda a escuridão.

sábado, 31 de março de 2012

- sem título -

os mais férreos grilhões,

a mais estreita prisão.

os olhos baixos, braços caídos,

a falta de coragem é a derrota do homem.

segunda-feira, 26 de março de 2012

- sem título -

o mar anseia o teu nome,


principalmente


quando as ondas o pulverizam pelo ar,
em gotas de sal,
viajantes, audazes em conquista da terra,
como conquistar-te ousaria a minha coragem
sumida, no tempo e na lenta espera dolente
que faz definhar o mais belo poema.

dias estranhos

o meu vizinho da frente ouve música de merda
quando ele tira a música, fica um silêncio de merda.

sábado, 24 de março de 2012

- sem título -

o teu corpo junto ao meu.
a tua anca contra mim,
um suspiro em silêncio,
uma breve luz pela janela,
assim fosse um dia sem fim.